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Carta de um canalha qualquer!

Minha cara,

Devo começar dizendo que, no fundo, sou apenas um vulto entre as sombras, um desses canalhas miseráveis que povoam a cidade, imperfeitos e corrompidos pela vida. Se parece que sou um cara legal, bem, isso é só a fachada, a máscara que coloco para esconder as cicatrizes e a sujeira que me habitam por dentro.

Acredite, minha intenção não é te enganar, mas a verdade nua e crua é que todos nós temos nossos demônios, nossos vícios, nossos segredos obscuros. Eu não sou diferente. Já perdi as contas das vezes que afoguei minhas mágoas em garrafas de cachaça barata, das noites vazias em que procurei refúgio nos braços de estranhos, sem lembrar como noite terminou.

As ilusões de grandiosidade que criei, que as vezes até eu acredito, são apenas isso, ilusões. Sou só mais um ser humano imperfeito, navegando pela vida com as falhas e fraquezas, talvez bem pior do que a maioria das pessoas. Minha aparente bondade é um manto frágil que esconde o egoísmo e a crueldade que também habitam em mim.

Não tenho desculpas, minha querida, apenas a honestidade brutal que aprendi nas vielas escuras da existência. Não lhe escrevo para que se compadeça de minha mediocridade, mas para lhe mostrar os abismos do meu mundo, compartilhar as dores e defeitos, que me cercam, e destroem tudo o que de mim se aproxima.

Com sinceridade,
Um canalha qualquer.