Nas suas malditas entranhas,
O asfalto, o calçadão, o paralelepípedo,
Nas noites insones, é meu destino,
Onde segredos e vícios são compartilhados.Nos bares clandestinos e inferninhos sombrios,
Onde o álcool flui e a fumaça se ergue alto,
As almas perdidas encontram seus refúgios,
Em busca de prazer, esquecimento e assalto.Entre risos embriagados e olhares cúmplices,
As histórias se entrelaçam, os segredos se confundem,
Saldanha Marinho guarda os desejos mais perversos,
Nas suas vielas escuras, onde a noite se aprofunda.É aqui, neste pedaço de cidade desgastada,
Que a noite sussurra em meu ouvido,
As palavras cruas, a vida vivida sem máscara,
Saldanha Marinho, meu refúgio perdido.Nas esquinas sujas e nos bares decadentes,
Onde o caos e a beleza se misturam sem pudor,
Sinto-me em casa, entre todos os descontentes,
Neste pedaço de Curitiba, onde encontro da dor ao amor.Lugar de contrastes e mistérios,
Onde o poeta e o bêbado se encontram,
Em suas sombras e lampejos, somos sérios,
Nesta noite eterna, onde os sentidos se desatam.Vinícius Prado