Com meu gato no colo e um copo de vinho na mão,
A solidão se esvai, como uma canção,
O gato ronrona, o vinho desce suave,
Nessa noite fria, sou o rei desta enclave.As garrafas vazias, amigas leais,
Testemunham as histórias que não contarei,
O gato me olha, com olhos sábios e frios,
Como se soubesse dos meus segredos vazios.O vinho é meu refúgio, o gato, meu cúmplice,
Neste mundo estranho, onde sou intruso e cómplice,
A embriaguez e a indiferença me aquecem o peito,
Enquanto o gato ronrona, num sussurro perfeito.Somos solitários, eu, o gato, e a bebida,
Três almas perdidas, na noite esquecida,
O mundo lá fora, uma sombra distante,
Neste quarto escuro, somos os senhores da noite errante.O vinho e o gato, meus companheiros fiéis,
Neste universo de desilusões e quartos de motéis,
Na escuridão da minha alma, eles são minha luz,
E juntos, enfrentamos a noite, apenas nós dois.Vinícius Prado