Num bar escuro, sob o véu da noite,
Sussurro aos cantos, um brinde à minha sorte.
“Sou um canalha fofo”, digo sem remorso,
Entre tragos e sorrisos, traço meu percurso.Mais amigas que amores tenho feito,
Na dança das palavras, meu defeito.
O bêbado no canto do bar, ri com seu copo em mão,
Da confissão sincera de um coração.Não por mal, mas por encanto,
Deslizo nas sombras, tecendo meu manto.
Um poeta da noite, um amante das ruas,
Entre linhas tortas, minhas verdades nuas.Neste jogo de espelhos, vejo meu reflexo,
Um canalha, sim, mas com um toque complexo.
Por entre os becos da vida, eu caminho,
Sempre à procura de um novo carinho.Mas no fundo, o que importa é a viagem,
Cada amiga uma história, cada noite uma paisagem.
O bêbado, companheiro, nesta estrada poética,
Entre a luz e a sombra, minha alma eclética.Assim sigo, um canalha de bom coração,
Nas entrelinhas do amor, sem muita noção.
Por mais que me julguem, por mais que me vejam,
No fundo, apenas sou, o que todos almejam.Vinícius Prado