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Folhas d’O Abacateiro na Refazenda!

Entre a bruma da ditadura,
Gil, preso com flor, catarina,
Com a dama verde, murmura,
A introspecção, divina sina.

Diz o poeta da canção,
Que a maconha, companheira,
É mais que simples distração,
É a luz de muita cegueira.

A mesma ressonância poética, rítmica,
De Refazenda e Abacateiro,
Mas ciência não vê mística,
Nem no céu, nem no terreiro.

Não faz mal, nem leva ao mal,
Só embala em melodia,
Quem é livre, sem igual,
Voa alto, em harmonia.

Censor, com sua ciência,
Desconhece o coração,
Pois na vida, a essência,
É mais que mera razão.

Entre rimas e fumaça,
A alma encontra o chão,
E na roda, se entrelaça,
Em um eterno refrão.

E assim, Gil nos ensina,
Que o segredo está na flor,
Na bruma que ilumina,
E na chama do amor.

O abacateiro dança,
Ao som da verde canção,
E o coração, em esperança,
Refazenda a sua missão.

Vinícius Prado