Meses são piadas de mau gosto
contadas por um relógio bêbado.
Para você, foram o suficiente
para trocar a mobília da alma,
pintar as paredes com novas risadas
e esquecer o gosto do meu beijo barato.Seu calendário corre,
um puro-sangue em direção a um futuro
que não me inclui.
Cada folha virada, uma nova risada,
um novo nome gritado no escuro.Para mim,
o mesmo tempo se arrasta,
um vira-lata sarnento
lambendo as mesmas feridas.
Os meses são apenas um amontoado de anteontens.A mesma cadeira vazia no bar,
o mesmo cigarro queimando até os dedos,
e essa dor no peito,
fresca como a notícia de jornal de ontem,
rasgando tudo
como se você tivesse acabado de bater a porta.Vinícius Prado