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Pior vendedor do que músico

Nunca fui o que se pode chamar de músico, arranho violão e outros instrumentos de corda desde adolescência mas nunca estudei a finco a música. Outra coisa que nunca fui também é um bom vendedor, negociar nunca foi uma grande habilidade, sou daqueles que coleciona resultados ruins nos negócios desde as trocas de figurinhas na infância.

Acontece que nos idos de 2011 dois colegas de trabalho, que mais tarde se tornaram grandes amigos, me convenceram a montar um banda, algo sério, para tocar na noite nos bares do litoral do Paraná. Topei acreditando que o maior desafio seria aprender a tocar contra baixo, instrumento que nunca tinha tocado de maneira séria até então, achei um desafio interessante e se eles que eram músicos de verdade estavam confiando em mim, porque eu não iria acreditar.

Porém logo no inicio descobri que precisaria enfrentar outra falta de habilidade minha, a de negociação, pois parece que você precisa convencer os donos de bares a te contratar, e precisa de convence-los a lhe pagar, e se quiser receber algo justo precisa de um poder de negociação ainda melhor. Todo mundo que toca na noite já ouviu frases como “vou abrir espaço para você mostrar seu trabalho”, “vou pagar menos que o combinado porque o movimento foi fraco”, “quando o movimento aumentar eu te pago mais, precisamos crescer juntos”, “é só duas horinhas de música”, entre outras.

Mas meus colegas de banda era mais experientes, já haviam tocado na noite em outras bandas, isso me deixava mais tranquilo, eu poderia aprender essa negociação com eles. Ledo engano, começamos a colecionar negociações ruins, não eram todas óbiviamente, mas várias vezes mal dava para pagar a gasolina, teve lugar que além de querer descontar do cachê até a água que bebíamos ainda queria nos cobrar os 10% do garçom.

Até que um dia muito revoltados conversamos entre nós e decidimos, não vamos mais sair de casa para tomar prejuízo, se for só para se divertir fazemos um churrasco em nossas casas e tocamos só para amigos e família, a partir de hoje só vamos aceitar tocar em lugares que realmente valha a pena para nós.

Pois bem, logo depois dessa decisão tomada, não lembro muito bem como, ficamos sabendo de um bar que estava reabrindo e fomos até lá negociar, quando paramos o carro em frente ao bar nos olhamos e reafirmamos o combinado, não vamos aceitar tocar senão não for um cachê que valha a pena, vamos ser firmes nessa negociação. E lá fomos nós.

Entramos e procuramos a dona do estabelecimento, nos apresentamos falamos sobre o repertório da banda, demos referências dos lugares que já tocávamos, e quando a senhora começou com o papo de quem não ia querer pagar o justo, falando que estava abrindo a casa agora, que ainda tinha poucos clientes, mas o bar tinha tudo para crescer, e se cobrássemos pouco agora quando o bar “bombasse” ela ia pagar mais, não demos nem brecha, já cortamos o papo falando de maneira dura e incisiva: “por menos de R$350 a gente não toca”. Nem era um valor muito alto para época, nossa referência de valor era o bar que nos pagava melhor.

Cumprimos o combinado, fomos duros na negociação, e naquela noite estávamos lá, contentes tocando naquele bar, com todos nossos equipamentos, ainda levamos amigos e familiares para nos assistir e consumir no local, e recebemos graças a nosso imponente poder de negociação, a quantia de de R$100,00 e um X-salada para cada um, ainda bem que a gasolina não estava acima dos R$5,00 naquela época.