Falar que o povo mineiro é comunicativo, receptivo e hospitaleiro é quase um consenso, todo mundo que já foi a Minas Gerais já sentiu esse calor humano mineiro, sempre tem alguém puxando papo com você em qualquer lugar, quando precisa de ajuda sempre encontra alguém disposto a te orientar, aquele ditado “quem tem boca vai a Roma” devia ser “quem tem boca vai a minas” porque lá é só perguntar que você chega onde quer.
Eu por outro lado, apesar de me comunicar relativamente bem em espaços específicos como assembleias sindicais e a sala de aula, naquela comunicação informal, do dia a dia nunca fui muito bom não, e os anos de Curitiba talvez tenham agravado isso, tanto que todas as vezes que tentei trabalhar com algum tipo de venda, foi um fracasso só.
Pois bem, neste fim de 2020 e inicio de 2021 eis que a vida me leva a passar 15 dias em Minas Gerais, a maior parte do tempo em Belo Horizonte. Os primeiros dias foram mais impactantes, pois pra quem tá acostumado com a frieza do povo curitibano, todo aquele calor humano, aquela receptividade, aquela comunicação toda, no começo parece fora do comum.
Porém, com o passar dos dias a gente vai se acostumando né? Lá pelo oitavo ou nono dia eu já até arriscava a puxar um papo ou outro com desconhecidos na rua sobre qualquer amenidade, e talvez aí o contagio desse poder de comunicação já estivesse começando a se manifestar, mas eu nem percebi.
Já era meu décimo dia por lá, sem perceber eu já falava “Beagá”, eis que a minha anfitriã precisava fazer umas compras para casa e eu fui ajudá-la, fomos a um daqueles lojões de utilidades domésticas que vendem de tudo um pouco. Após finalizarmos nossa saga na loja, minha companheira de compras precisava ir a uma loja na rua ao lado, e como tínhamos muitas sacolas fiquei esperando-a na entrada deste primeira loja com as compras para evitar a fadiga de ficar carregando todas aquelas sacolas.
Na entrada da loja tinha uma pilha de produtos expostos para chamar a atenção de quem passava na rua, eu me encostei por ali enquanto a esperava, eis que alguns minutos depois uma senhora me aborda perguntando se o escovão que estava ali era bom mesmo, eu falei sobre a qualidade do escovão, disse que já tive daquele em minha casa, e que o preço estava abaixo do que eu tinha visto em outras lojas, só quando ela olhou pra mim e falou “então vou levar” que percebi que ela achava que eu era um vendedor, não desmenti para não decepcioná-la entreguei o produto e orientei ela para ir até o caixa.
Pucos minutos depois sou abordado por uma senhora interessada em um espelho que também estava por ali, nem questionei assumi o papel de vendedor e fiz mais uma venda, logo em seguida uma senhora bem mal humorada interessada em tapetes para cachorro também me abordou, me fez desfazer uma pilha de tapetes pois óbviamente ela queria o último, ainda tive que verificar o preço no caixa, mas ainda assim mesmo diante do total mal humor da senhora, mais uma venda feita.
Depois disso já estava me sentindo “o vendedor”, até abordei um senhor que estava com dificuldade de colocar os produtos que comprou em uma só sacola para ajudá-lo, quando eu já cogitava procurar o gerente da loja e me oferecer para um emprego formal, afinal já tinha quase R$400,00 de vendas no meu currículo em cerca de meia hora, minha companheira de compras retorna e acabo desistindo.
Agora de volta ao Paraná, diante de tantas incertezas na vida profissional, to pensando aqui com meus botões, se em 15 dias de convivência com os mineiros eu sai de um zero a esquerda nas vendas, para alguém que faz várias vendas em meia hora, talvez mais uns dias de conivência lá eu me capacite para encarar uma carreira profissional de vendas….