já se foi uma estação
e o meu coração não aprendeu a ir junto.
o verão passou por mim
como quem não reconhece —
e eu esperei, em vão,
o calor que só existia
quando você era presença.
o outono chegou sem pedir licença,
e houve em mim uma queda silenciosa,
como se as esperanças
não soubessem mais se sustentar.
o inverno — e digo inverno
como quem confessa um segredo —
chegará no meu peito
com uma frieza que não é do mundo,
mas de dentro.a primavera também virá,
mas eu a pressinto
como quem acredita sem provas:
talvez algo em mim floresça,
ainda que você não volte.
Vinícius Prado