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Cala-me

Cala-me

Ela sabe.
Sabe que eu fui irresponsável,
um canalha com talento
para estragar aquilo que tocava.

Faltou responsabilidade afetiva.
Nenhuma desculpa bonita
para esconder isso.

Então, para quê?
Uma conversa.
Uma confissão.

Eu chegando agora,
com a cara de quem finalmente entendeu
o estrago que fez.

Ela me ouviria
e depois?

Eu sairia mais leve.

Ela, talvez,
mais uma vez carregando
a merda que eu deixei.

Não.

Falar agora seria apenas
mais uma forma de egoísmo.

Uma tentativa barata
de transformar culpa em alívio,
solidão em romance,
e meu coração partido
em problema dela.

Ela não me deve ouvidos.
E eu, pela primeira vez,
talvez devesse ficar calado.