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Estrelas Mortas

No beco escuro da alma, sob a luz fraca de um poste quebrado,
Eis-me aqui, um vulto entre os destroços da grandeza não realizada.
Um bêbado me sussurra com seu hálito de uísque:
“Garoto, todos somos estrelas mortas vagando em um céu sem espectadores.”

A infância prometeu voos até Marte, curas para as doenças da alma,
Mas aqui estou, com os pés atolados na lama da mediocridade.
A sociedade nos molda em aspirações gigantes,
Para nos deixar tropeçar nas pedras minúsculas das nossas limitações.

Na juventude, um brilho nos olhos, um incêndio no peito,
“Vou mudar o mundo”, ecoava em corredores de sonhos infinitos.
Mas o tempo é um escultor cruel, lapidando sem piedade,
Até que restamos, estátuas não acabadas, esquecidas na praça do cotidiano.

Os livros de história não reservam páginas para os silêncios ordinários,
Para as vidas tecidas em teias de rotinas e pequenos esquecimentos.
Não, não serei lembrado por feitos grandiosos,
Meu nome desaparecerá como gotas na infinita tempestade do tempo.

Os tolos que na insignificância encontram uma doce ilusão.
Crêem na liberdade da mediocridade, que engano profundo,
Pois nem na mais vasta das liberdades, a nulidade encontra razão.
A insignificância e a mediocridade, apenas mascaram o vazio do mundo.

Somos miseráveis, unidos na miséria,
Dançando sob a chuva de um universo indiferente.
O bêbado ri, um som rouco e desdentado, e brinda ao vazio,
“À nossa insignificância, meu caro, não significa nada.”

Vinícius Prado