O mercado, dizem, é um deus,
Onipresente, onipotente, onisciente…
Mas não! Não se enganem com essa ladainha.O mercado não está nos céus,
Nem é uma força mística que nos atravessa.
O mercado tem nome, sobrenome e CPF,
Tem casa no bairro nobre,
Tem mãos, muitas, que seguram o poder
E não o largam.O mercado tem interesses, claro,
Bem definidos, bem guardados.
Não é essa abstração inofensiva
Que vendem por aí.O mercado é a mesa onde os poderosos se sentam,
Discutem o preço de nossa fome,
E decidem quem viverá e quem morrerá
Na sua guerra invisível.E, no fim,
O mercado é apenas o disfarce perfeito
Para o capital que se alimenta
De nossa miséria.Vinícius Prado