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Sonhador Barato!

Eu quis ser muitas coisas na vida,
um gênio da bola, um artista perdido,
um músico aclamado, um amante querido.
Eu quis ser o brilho nas noites escuras,
a esperança que ilumina as ruas vazias.

Mas o tempo, esse cão sarnento,
me mordeu os calcanhares
e me jogou contra o muro da realidade.

Eu quis ser bom em alguma coisa,
qualquer coisa que me desse sentido,
um emprego, uma canção, uma desculpa,
qualquer coisa que me fizesse sentir útil
no meio dessa massa que corre sem parar.

Mas descobri que eu sou apenas bom em sonhar.
Sonhar com sucessos que nunca chegaram,
com palavras que nunca saíram da boca,
com vitórias que nunca cruzei a linha de chegada.
Eu sou bom em criar mundos dentro de mim,
em imaginar histórias, finais felizes,
mas a vida não me deu um script.

Eu descobri que o mundo não é dos que sonham,
o mundo é dos que fazem,
dos que suam, dos que engolem seco,
dos que dizem sim quando querem dizer não,
dos que acordam cedo e fingem sorrir.

E eu aqui, sentado no mesmo bar,
com a mesma cerveja morna,
com o mesmo olhar vazio,
olhando para o mesmo copo,
tentando achar sentido em algo
que eu nunca consegui alcançar.

Eu fui bom em criar ilusões,
em desenhar castelos de areia
que o mar sempre levou embora.
Fui bom em prometer a mim mesmo
que o amanhã seria melhor,
que eu faria diferente,
que eu seria alguém.

Mas o que eu sou?
Um sonhador barato,
um poeta frustrado,
um bêbado solitário,
um cara que queria mudar o mundo
mas mal conseguiu sair da própria cama.

E agora, depois de tantos anos,
descubro que a única coisa
em que realmente fui bom
foi imaginar o que nunca serei.
E isso, eu sei bem agora,
não vale nada.

Vinícius Prado