O bar está cheio,
copos tilintam, risadas racham o ar,
mas eu sou um copo quebrado
no canto da mesa,
um cigarro queimando sozinho no cinzeiro.Eles falam comigo,
perguntam como estou,
dizem que sentem minha falta,
mas suas vozes chegam abafadas,
como um rádio mal sintonizado
em uma estação que não me pertence.O álcool esquenta a garganta,
mas não preenche o buraco
que cresce no peito,
como uma cidade abandonada
onde as luzes ainda piscam
mas ninguém mais mora.Eles me querem por perto,
eu sei,
mas é como estar num filme
onde eu sou o figurante
numa cena que não foi feita pra mim.Levanto, cambaleio até o banheiro,
encaro o espelho,
mas meu reflexo não me reconhece.
Ou talvez eu é que tenha me perdido,
entre goles, tragos
e essa cidade cheia de gente
onde sou só mais um vulto
passando despercebido.Vinícius Prado