eu te digo a verdade,
daquela que arde na língua
e fede como esse gin barato
que eu engulo pra fingir coragem:
eu sou um monstro,
um monstro egoísta.não se engane com meu jeito torto
de pensar no que é melhor pra você,
de medir palavras
pra não te ferir,
de aparar meus gestos
pra que doam pouco,
ou quase nada.parece bonito, né?
parece altruísmo,
parece cuidado.
mas é mentira.
mentira minha,
mentira do meu peito torto
que só sabe querer.porque no fundo
eu queria era você aqui,
do meu lado,
no calor suado das horas ruins,
no silêncio comprido das horas boas,
no meio das tuas dúvidas,
ou no meio dos teus cabelos,
tanto faz.queria mais cinco minutos
do teu abraço —
os cinco minutos que salvam um dia,
que fazem um verme acreditar
que ainda há chance.mas não.
sorrio.
faço o certo.
te deixo ir,
ou te deixo ficar do jeito que quer,
ou finjo entender o que não entendo.enquanto isso,
dou mais um gole
desse gin vagabundo
que me ajuda a engolir
meu próprio egoísmo,
esse bicho faminto
que mora atrás das costelas
e ruge teu nome.eu faço o que é certo,
sim.
mas dói.
dói na alma,
dói no osso,
dói no vício de te querer.porque a verdade é só essa:
sou um monstro egoísta,
que aprendeu a amar escondido
e a perder sorrindo.Vinícius Prado