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O Poder da Poesia

Sempre achei poesia algo meio mágico, mexe com os sentimentos, faz a gente pensar sobre a vida, sobre política, sobre amores, enfim nos provoca sobre os mais variados temas que aflige a humanidade, e as vezes ela mexe com a gente de maneiras inusitadas.

Sabe aqueles dias em que você esta desanimado com a vida em praticamente todos os aspectos? Quando até a maneira como você levanta da cama te incomoda? Aqueles dias em que tudo o que você mais quer é esquecer todos seus problemas, e é justamente tudo o que você não consegue fazer?

Então, era um dia desses, e numa situação dessas só há duas coisas que uma pessoa sensata pode fazer para superar, se entorpecer e recorrer ao afago da arte. Naquele dia decidi recorrer as duas coisas. Ao sair do trabalho passei no supermercado, comprei uma caixa de cerveja e um ingredientes para um “Rabo de Galo” (existem várias “receitas” mas em Curitiba a mais comum é cachaça com catuaba), a parte entorpecente já estava garantida.

Chegando em casa preparei qualquer coisa pra “petiscar”, sentei diante do computador e decidi que o afago da arte viria da poesia, entrei no youtube e lá estava eu pulando de vídeo em vídeo, de clássicos da poesia como Maiakovski, a poetas contemporâneos como Sérgio Vaz, e assim segui minha noite, desconectando do mundo que tanto me incomodava entre cervejas, “Rabo de Galo” e poesias.

A certa altura a sequência randômica do Youtube me levou a vídeos de Antônio Abujamra, genial, recitando poemas do também genial Bertold Brecht, e ali fui viajando, “O Analfabeto Político”, “Se os Tubarões fossem homens”, “Intertexto”, “Os que lutam”, “Privatizado”, “Perguntas a um homem bom”, entre tantos outros.

Viajei, a poesia me levou longe, abstrai a realidade, reconheço que talvez a cerveja e o “Rabo de Galo” tenham ajudado nessa abstração, porém não fosse a poesia talvez a abstração poderia ter me levado para outro caminho, enfim, sei que em meio a esse êxtase dormi sem nem perceber como. (Invejosos dirão que eu estava alcoolizado)

No dia seguinte acordei com a boca seca e com aquele gosto de cabo de guarda-chuva, dor de cabeça, sintomas comuns pós uma noite de bastante êxtase e abstrações poéticas, segui ao trabalho afinal ainda era meio da semana, ainda meio desorientado.

Ao chegar no meu local de trabalho abri o e-mail e eis a minha surpresa, uma mensagem de um portal internacional de vendas online com o seguinte título “seu pedido foi enviado”, ao abrir para meu espanto vejo que por volta das três e meia da madrugada eu havia comprado um livro de poesias de Bertold Brecht, o êxtase de poesias (e talvez de bebidas) me levou a comprar um livro de poesias “sem saber”, e talvez tudo que eu precisava naquele momento era isso mesmo, mais poesia na minha vida.