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Carta não enviada

Minha querida,

Não te escrevo para clamar por um amor que se foi,
Nem para suplicar por um regresso que não me cabe.
Estas linhas, eu sei, já não te alcançam,
Meus pensamentos, meus lamentos, já não te importam.

Mas escrevo, sim, para a alma que em mim se consome,
Para confessar a mim mesmo o quão tolo eu fui,
Com quem tanto me deu, com quem tanto me amou.

E dói, oh, como dói, imaginar que,
Após a vastidão de nossa história,
Eu seja apenas um vulto, um nome esquecido
Na galeria de teus amores passados.

Dói a certeza de que jamais poderei
Admitir os erros que, tardiamente,
Minha cegueira me permitiu enxergar.

Dói saber que este amor, que para mim foi o universo,
Possa ter sido para ti um breve cometa,
Sem rastro, sem significado em tua jornada.

Por fim, a dor maior: admitir que destruí
O mais precioso presente que a vida me ofertou.

E para ti, talvez, minha partida seja a brisa,
A libertação de uma história ruim,
De um fardo que, em minha insensatez, te impus.

Vinícius Prado