Na noite solitária, o vinho é meu abrigo,
Taça em mãos, a alma se derrama em dor.
Os pensamentos dançam, sombrio espetáculo,
Ecos das angústias, sentimentos sem pudor.
O aroma do vinho embriaga meus sentidos,
Lágrimas se misturam, umedecem o olhar.
As horas se arrastam, num lamento perdido,
Nesta noite vazia, é o vinho meu consolar.
Brindando às sombras, sou meu próprio amigo,
Confidencio aos vinhedos minha solidão.
A melodia triste de um violão antigo,
Acompanha a jornada desta escuridão.
Na taça vazia, ecoam as despedidas,
Os silêncios profundos, a busca por alívio.
O vinho, companheiro, que nunca pede explicações,
Aconchega minhas dores num abraço furtivo.
A lua, testemunha, lá no céu tão distante,
Ilumina a jornada de um coração em dor.
E entre copos e vinho, sigo adiante,
Na noite solitária, buscando meu próprio calor.
Vinícius Prado