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Sombra dos Fracassos

No vazio das vitórias alheias,
Entre os quebrados, loucos e esquecidos,
Caminho na sombra dos fracassos,
Onde o sol parece nunca ter nascido.

Não me encontro entre os laureados,
Nem nos salões da glória efêmera,
Sou o errante, o desajustado,
Na margem da vida, na beira da espera.

E que libertação é essa,
Aceitar a sina do naufrágio,
Afogar-me na própria fraqueza,
E encontrar conforto nesse estágio?

A grandeza se esconde em aceitar,
No abraço aos destroços do sonhar,
No reconhecer da própria verdade,
Neste fracasso, meu lugar a encontrar.

Porque a vida é um poema torto,
Escrito por mãos trêmulas, sofridas e embriagadas,
E a liberdade, talvez, resida
Na aceitação de ser, entre os fracassados, recebido.

Vinícius Prado