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Brinde a derrota!

Reconhecer-se um perdedor
é o primeiro gole da liberdade.
arde, desce rasgando,
mas esquenta o peito.

O mais difícil é admitir —
que o jogo é deles,
as regras são deles,
e que a gente nunca teve chance.
a maioria não vence,
mas todos fingem que sim.

É duro olhar no espelho
e ver o fracasso sorrindo de volta,
sem filtro, sem meta, sem bônus.
mas depois que você aceita,
nem tudo fica mais leve,
como quem tira um paletó molhado
de um corpo que continua cansado.

A derrota não deixa de doer
quando você entende
que correr atrás da vitória deles
é morrer em prestações.

Então fico aqui,
no canto sujo do meu apê velho,
a parede descascando,
a garrafa pela metade.
tomo minha cachaça barata
como quem brinda ao fim do engano.

Sorrio,
porque sei que nunca seria feliz
sendo o que vocês chamam de vencedor.
aqui, na lama,
sou livre demais pra querer ser limpo.

Vinícius Prado