Eu anseio pelo dia em que teu passo
Transponha o umbral e desfaça o meu cansaço.
Que a porta se abra, e a luz do teu olhar
Me atravesse em versos, prontos a te devorar.
Espero o toque, a urgência do teu vulto,
Para que o silêncio se faça em tumulto
De sensações, de um fogo que me inflama,
E a pele se torne a folha que nos toma.
Então, no espelho liquido dos teus olhos, nus
Criaremos títulos, sem medos sob a luz.
Cada fresta, um verso, um segredo a desvendar,
Na caligrafia ardente do teu respirar.
E em cada curva, em cada linha tua,
Minhas mãos, poetas, em tua pele nua,
Escreverão poemas, sem pudor, sem fim,
Traçando versos, de mim por dentro de ti.
Na melodia lenta de um beijo que se estende,
A poesia carnal, enfim, se acende.
Corpo em corpo, alma em alma, a se fundir,
Em cada toque, um verso a te possuir.
Que a tua boca, rubra, seja a tinta viva,
E o meu corpo, a página que se cativa.
Que o suor seja a lágrima de um gozo pleno,
E o gemido, o verso mais obsceno.
Em cada poro, um ponto, uma vírgula, um traço,
Desenhando o mapa do nosso abraço voraz.
Até que exaustos, em êxtase profundo e sem fim,
Sejamos a poesia mais crua, de ti e de mim.
Vinícius Prado