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A espera

a noite é um bar sujo
um cinzeiro cheio de nomes
e eu sentado
olhando o copo como quem espera
um milagre barato.

dizem que o desejo é uma ruína bonita,
mas o que eu tenho é só essa garrafa
me empurrando pra frente,
me segurando de cair no abismo
que começa no fundo da tua boca vermelha.

eu sei —
você pode aparecer ou não,
pode me fuzilar com um beijo
ou me deixar apodrecer aqui
entre bêbados sem rosto
e músicas que ninguém mais ouve.e ainda assim eu fico,
feito um cachorro na chuva,
esperando o bar fechar
pra ver se no último gole
é você quem entra pela porta
ou se é só a ressaca
que vem me buscar.

Vinícius Prado