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Idiota

Não há tempo para corações partidos, eu disse.
E ainda assim, aqui estou eu, um idiota, um monumento à minha própria estupidez.
Preso a uma ideia, um fantasma que só existe na minha cabeça suja.
Nunca antes, tanto tempo, nesta merda de limbo.
Preferindo a dor familiar, a ferida aberta, a conhecer novas bocas, novos lençóis.

Raiva. Sim, raiva. De mim mesmo, principalmente.
Em breve, ela nem lembrará meu nome, talvez um vago contorno.
E eu? Eu serei o cão sarnento, esperando o estalar dos dedos.
Pronto para rastejar, lamber a mão que me negou.
Que patético. Que previsível. Que idiota.

Vinícius Prado