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Insônia do Verme

Acordo de novo.
Sempre a mesma merda de penumbra,
o mesmo teto rachado
e você — claro que é você —
sentada em algum canto da minha cabeça
fumando em silêncio.

Engraçado.
Você nem liga
Se ainda tem esse poder barato
de me tirar o sono
sem mover um músculo.

Seguiu feliz.
Do jeito que quis.
Como quem fecha uma porta
sem olhar pra trás.
Talvez nem lembre
que um dia
eu caminhei ao seu lado,
dividindo planos mal feitos.

Eu lembro.
Lembro demais.

Fico aqui.
Como um verme,
desses que não têm nem dignidade pra morrer,
devorando as próprias entranhas
e chamando isso de reflexão.

Passo as noites
mastigando a culpa,
um enfileirado de decisões erradas,
como quem engole cacos
achando que vai aprender algo com a dor.

Hoje nem isso me sobra:
não tenho nem o direito covarde
de mandar uma mensagem idiota
dizendo
que sinto falta do seu abraço.

Fico só olhando o celular,
como quem encara um copo vazio,
sabendo que a ressaca
já começou
e que o pior
é estar sóbrio o bastante
pra entender
que fui eu
quem derramou tudo.

Vinícius Prado